Sociedade doente!!


Sociedade doente!!No meio deste turbilhão de covid-19, percebemos o quanto a sociedade está adoentada. Não, não é pelo vírus, nem qualquer outra doença que pode ser curada com uma vacina desenvolvida nas pipetas dos laboratórios. Estamos com baixíssima taxa de empatia e quase nenhuma de compreensão. Qualquer postagem na rede social é acompanhada por uma carga emocional negativa, com ofensas, palavras de baixo calão, isso quando o assunto não vira polêmica após ser levado para o campo político-partidário. 
Não podemos perder a sensibilidade e tratar números de mortos como sendo apenas números. Ou querer minimizar os problemas dos outros apenas porque aqueles problemas não chegaram na nossa casa ou família ou ambiente de amizade. Por falar em amizade, quantas não se perderam nos últimos anos, e com mais intensidade nessa pandemia de redução de amor ao próximo. Quantos amigos de longa data foram bloqueados nas redes sociais simplesmente porque não concordam com nossa linha de raciocínio. 
Comentei sobre os comentários (usei das duas palavras de forma proposital) depreciativos nas postagens. Quem escreve não está preparado para um troca de ideias. “Burrice”, “tolice”, “babaca”, são apenas alguns termos usados (são os mais leves). “Tomara que morra”, também é um deles. Um desejo insensato em relação a outro ser vivo, que apenas expôs uma opinião diferente na rede. E como peixinhos somos fisgados facilmente por esta energia ruim que emana da tela do celular ou do computador, ou do tablet. Depreciar nos comentários pelo simples fato de querer desabafar as mais profundas angústias, porém esquece que a postagem é de uma pessoa, de um ser pensante e que também pode estar num processo de desabafo. É aí criamos uma rede de intrigas, efeito dominó do mal. 
Conheço algumas pessoas que decidiram não escrever mais, nem gravar mais vídeos por medo dos ataques. “Se eu não concordo, eu ataco e chamo logo de burro, besta, otário”. Por mais que a gente tente se distanciar destas questões, não dá. Somos pedra e telhado de vidro sempre. Assumimos este risco quando estamos nas redes sociais. Este texto mesmo, pode ser amplamente atacado por quem não concorda. Mas o ataque puro e simples com xingamentos mostra o quanto a sociedade está doente de ideias, de argumentos. Minha pobreza de pensamento será transmitida e provada ali, num mero comentário qualquer, carregado de palavrões. 
E ali, naquele comentário esdrúxulo, a sociedade mostra o quanto está doente. 
Tratamento existe. A questão é que tem gente em situação de risco e que vai continuar neste isolamento mental, de não querer aceitar ou respeitar a opinião do próximo.  
Busquei este tema para a postagem depois de ler uma série de comentários em diferentes contas de diferentes redes sociais nos últimos dias. Ouvi muito áudio em grupos de Whats acusando o isolamento social por tamanha selvageria nas palavras. Cobranças extremas, discussões extremas, arrogância extrema, falta extrema de empatia. E aí sinto saudade de termos como debate. Não debatemos mais ideias, mas julgamos o nível de QI das pessoas com base na opinião sobre algum determinado assunto. Se relincha, se come alfafa, se, se, se...vira uma guerra. Quem votou, quem escolheu, quem não escolheu, qual a cor preferida, qual a comida preferida, qual programa preferido, qual a escola de samba, qual o carro, qual a bicicleta, qual a academia...Discordar é natural. Uns preferem cuscuz, outros querem milho assado. Uns gostam de forró, outros de música clássica. Tem gente que gosta de funk, mas tem gente que prefere MPB. E o que há de errado nisso? Qual o crime? Defender cores, partidos políticos é uma coisa, impedir que existam pessoas que pensem diferente é outra.  
 
Calma!! 
Já basta a pandemia há anos de corrupção, de roubalheira em diversos pontos do País. 
Calma!! 
Já tem gente demais sendo desrespeitosa no trânsito do cotidiano. 
Calma!! 
O bem que você faz é distribuir esta calma e defender que todos tenham a liberdade de expressar as ideias respeitosamente.  
Posso não concordar com sua opinião, mas tenho a imensa satisfação de poder ser o intermediário para que esta opinião possa ser dita sem receber uma chuva de pedras.